Paraiba

Imprensa paraibana de luto: fotógrafo Marcelo Marcos da Silva morre em Campina Grande

A imprensa paraibana amanheceu de luto nesta quarta-feira (7) com a confirmação da morte do fotógrafo Marcelo Marcos da Silva, ocorrida na noite da última terça-feira (6) de causas naturais. Marcelo, funcionário público aposentado e figura respeitada no fotojornalismo local, morava no bairro da Liberdade e integrou a chamada “velha guarda” da imprensa de Campina Grande, com passagem por jornais importantes da região. A trajetória de Marcelo Marcos da Silva está diretamente ligada à história do fotojornalismo em Campina Grande.

Ao longo de décadas de atuação, ele registrou, em imagens, os momentos políticos, sociais e culturais que marcaram a história da cidade, sendo lembrado por sua sensibilidade, ética e compromisso com a verdade dos fatos.

A trajetória de Marcelo Marcos da Silva na imprensa paraibana

Marcelo Marcos iniciou a carreira quando o fotojornalismo exigia técnica analógica refinada e olhares atentos à sociedade. Ele trabalhou em veículos renomados como o Diário da Borborema, o Jornal da Paraíba e o A Palavra, entre outros, contribuindo para a construção da memória visual de Campina Grande e da Paraíba.

Colegas e profissionais do setor destacam que Marcelo foi referência para gerações de repórteres e fotógrafos pela dedicação ao registro jornalístico fiel ao cotidiano paraibano. Ao longo da carreira, Marcelo Marcos da Silva construiu uma reputação marcada pela ética, discrição e compromisso com a verdade dos fatos. Para colegas de profissão, Marcelo Marcos da Silva representa um exemplo de dedicação silenciosa ao jornalismo.

O caso que marcou sua vida: morte de Raymundo Asfora

Uma parte indissociável da trajetória de Marcelo Marcos foi o envolvimento no caso Raymundo Asfora, advogado, poeta e ex-vice-governador eleito da Paraíba, que morreu em 6 de março de 1987 na granja Uirapuru, no bairro de Bodocongó, em Campina Grande, em circunstâncias que até hoje suscitam debates: suicídio ou homicídio?

O episódio teve enorme repercussão política e social. Asfora foi encontrado com um tiro na cabeça às vésperas de tomar posse no cargo de vice-governador. Desde então, uma investigação complexa se arrastou por décadas na Justiça.

À época, o caso teve ampla repercussão no Judiciário paraibano e foi acompanhado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba, passando por anulações de julgamento, novo júri popular e intensos debates técnicos até a absolvição definitiva dos acusados, em 2013, por falta de provas.

Novo julgamento e polêmica judicial

Em outubro de 2012, o processo que já possuía 14 volumes voltou ao foco do Judiciário: João da Costa, Marcelo Marcos e Gilvanete Vidal de Negreiros Asfora, então acusados da morte de Raymundo Asfora, poderiam ir a um novo júri popular ainda naquele ano, após o Tribunal de Justiça da Paraíba anular o primeiro julgamento. Na primeira votação, o Conselho de Sentença havia absolvido os réus com base na tese de suicídio, embora existisse perícia técnica nos autos que apontava para homicídio, levando a corte a entender que a decisão original contrariava as provas do processo.

O juiz responsável na época, Alberto Quaresma, chegou a afirmar que o caso poderia ser incluído na pauta do Tribunal do Júri no final de 2012. No processo, o Ministério Público havia denunciado todos os acusados com base nos artigos de homicídio qualificado e concurso de pessoas do Código Penal.

Em março de 2013, após 26 anos de tramitação, foi confirmada a realização do novo júri no Fórum Afonso Campos, em Campina Grande. Apesar de todas as controvérsias e do intenso debate jurídico, o júri popular absolveu, por maioria dos votos, Marcelo Marcos e Gilvanete Vidal de Negreiros Asfora, com a defesa sustentando a negativa de autoria e ausência de provas diretas suficientes.

O peso de décadas sobre uma amizade

Ainda segundo relatos da época, Marcelo tinha forte ligação pessoal com Raymundo Asfora, um vínculo que começou na juventude e permaneceu ao longo da vida. Em entrevistas concedidas antes, ele afirmou que vivia amargura e angústia por ter sido apontado como suspeito, apesar de sempre afirmar sua inocência e destacar o carinho que nutria pelo ex-vice-governador.

Mesmo depois da absolvição, Marcelo manteve um gesto simbólico e comovente: visitar diariamente o túmulo de Asfora no Cemitério Nossa Senhora do Carmo (Monte Santo), saindo de casa a pé, sol ou chuva, para prestar sua homenagem pessoal.

Marcelo Marcos da Silva e o legado no fotojornalismo de Campina Grande

Com a morte de Marcelo Marcos da Silva, Campina Grande e toda a imprensa paraibana perdem um fotógrafo que foi testemunha ativa de décadas de história local, não apenas registrando fatos, mas participando deles com um olhar humano e sensível.

Colegas, amigos e a sociedade lamentam sua partida, reconhecendo sua contribuição para o jornalismo regional e sua dedicação inabalável, apesar dos desafios pessoais que enfrentou ao longo da vida. O legado de Marcelo Marcos da Silva permanece vivo na memória da imprensa paraibana e de todos que acompanharam sua trajetória.

A imprensa paraibana tem se despedido, nos últimos anos, de figuras que ajudaram a construir a memória cultural do estado, como no caso da morte de Chico Pereira, artista plástico de reconhecida importância para a Paraíba.

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