Politica

Marcos Vinícius repudia PPP da Cagepa e acusa fraude no leilão

Vereador questiona idoneidade da Acciona e cobra transparência do governo

O vereador Marcos Vinícius repudiou o resultado do leilão da Parceria Público-Privada (PPP) de esgotamento sanitário da Cagepa, vencido nesta sexta-feira (15) pela multinacional espanhola Acciona, durante certame realizado na sede da B3, em São Paulo. Para o parlamentar, entregar um patrimônio estratégico dos paraibanos a uma empresa investigada por corrupção no exterior é, nas próprias palavras dele, “absurdo”.

A crítica vai além da indignação política. Marcos Vinícius apresentou uma denúncia grave: segundo ele, existe um documento registrado em cartório que já apontava a Acciona como vencedora dois dias antes de o leilão acontecer, levantando dúvidas sobre a lisura do processo.


O que aconteceu no leilão da PPP da Cagepa?

A Acciona foi a única empresa a apresentar proposta no certame realizado na B3, oferecendo desconto de apenas 1% sobre a contraprestação máxima prevista no edital. O projeto, estruturado pelo BNDES em parceria com a Fundação Getulio Vargas, abrange 85 municípios das Microrregiões de Água e Esgoto do Alto Piranhas e do Litoral.

O contrato prevê R$ 3 bilhões em investimentos ao longo de 25 anos, com meta de elevar a cobertura de esgotamento sanitário para 90% na região, índice exigido pelo Novo Marco Legal do Saneamento. O governador Lucas Ribeiro participou do evento em São Paulo e classificou o resultado como um marco para o estado.

Contudo, a ausência de concorrência no leilão chamou atenção de especialistas e parlamentares. Quando apenas uma empresa se apresenta e oferece desconto mínimo, o poder de barganha do poder público fica comprometido, e o preço pago pela sociedade pode ser mais alto do que o necessário.


Por que Marcos Vinícius questiona a idoneidade da Acciona?

O parlamentar sustenta sua crítica em dois episódios concretos envolvendo a empresa espanhola no exterior. Primeiramente, em 2022, a Acciona foi condenada pela Comisión Nacional de los Mercados y la Competencia (CNMC), o equivalente espanhol ao Cade brasileiro, por formação de cartel e irregularidades em licitações públicas durante um período de 25 anos. A multa aplicada chegou a 29,4 milhões de euros.

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Além disso, a Polícia Federal da Espanha investiga a companhia pelo suposto pagamento de 620 mil euros a líderes do Partido Socialista Espanhol, incluindo o ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos e Santos Cerdán, ex-secretário de Organização do partido. O escândalo é um dos maiores da história política recente da Espanha e já preocupa o governo do estado de São Paulo, onde a Acciona conduz obras bilionárias.

“É inadmissível que um patrimônio estratégico dos paraibanos como a Cagepa seja entregue a uma multinacional envolvida em denúncias tão graves. Estamos falando de uma empresa investigada por corrupção e condenada por cartelização em seu país de origem”

declarou o vereador.

Qual é a denúncia sobre o documento que antecipou o resultado?

Esse é o ponto mais delicado levantado por Marcos Vinícius. Segundo o parlamentar, há um documento registrado em cartório, datado de 13 de maio, dois dias antes da realização do leilão, que já citava a Acciona Construcción, por meio de sua sucursal em Portugal no Parque Suécia, como vencedora da PPP do saneamento da Paraíba.

“Se o leilão ainda nem tinha acontecido, como já havia gente sabendo o resultado?”, questionou o vereador.

A denúncia aponta para uma possível irregularidade no processo e levanta dúvidas sobre a transparência do certame. O parlamentar cobra explicações do Governo do Estado da Paraíba.

A existência de um documento pré-leilão indicando o vencedor é uma acusação séria. Se confirmada, pode configurar fraude ao processo licitatório, com implicações jurídicas e políticas para os responsáveis pela condução da PPP.


O que Ricardo Coutinho disse sobre a privatização da Cagepa?

Para reforçar o posicionamento contrário ao modelo adotado, Marcos Vinícius também trouxe à tona declarações do ex-governador Ricardo Coutinho, feitas após o leilão. Na avaliação do ex-chefe do Executivo estadual, o processo entregou a parte mais lucrativa da Cagepa à iniciativa privada, enquanto o estado fica com os custos estruturais da companhia.

Coutinho usou uma metáfora direta para definir o modelo: “Entregaram o filé, o esgotamento sanitário. Daqui a pouco vem a alcatra quando terminarem as obras com recursos federais de adutoras do Curimataú e Cariri e o osso fica para a viúva da Paraíba, o Estado, com uma empresa enorme e qualificada como a Cagepa.”

O ex-governador também afirmou ter deixado R$ 158 milhões em caixa na companhia e denunciou que teria ocorrido um enfraquecimento proposital da estatal para justificar a concessão ao setor privado.


Quem é Marcos Vinícius e qual é sua posição sobre o saneamento?

Filiado ao PDT, Marcos Vinícius é vereador de João Pessoa e tem adotado postura crítica ao modelo de privatização dos serviços públicos essenciais. O parlamentar levou o debate para a tribuna da Câmara Municipal antes mesmo do leilão, cobrando transparência no processo e apresentando vídeo com declarações de Ricardo Coutinho sobre o estado da Cagepa.

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Para ele, a questão não é apenas sobre a empresa escolhida, mas sobre o modelo em si. Entregar o esgotamento sanitário de 85 municípios a uma multinacional estrangeira, em contrato de 25 anos, significa abrir mão do controle direto sobre um serviço essencial para a população paraibana. Ainda mais quando a empresa tem um histórico polêmico no exterior.


Como a Acciona responde às acusações na Espanha?

Em nota divulgada anteriormente sobre o escândalo europeu, a Acciona afirmou que o ex-funcionário Fernando Agustín Merino Vera, citado nos procedimentos judiciais, foi demitido em abril de 2021. A empresa declarou ter aberto investigação interna para apurar os fatos e afirmou que todos os consórcios dos quais participa mantêm compromissos formais de ética e conformidade, regularmente auditados.

Mesmo assim, a empresa segue sob investigação. No Brasil, a companhia é a segunda maior empreiteira em atuação no país, com contratos que somam dezenas de bilhões de reais em obras de infraestrutura. A expansão no nordeste com a PPP da Paraíba se soma a contratos já existentes em Pernambuco, Paraná e Espírito Santo.

AspectoDetalhe
Valor da PPPR$ 3 bilhões em 25 anos
Municípios atendidos85 municípios paraibanos
Desconto oferecido1% sobre a contraprestação máxima
Concorrentes no leilãoNenhum (proposta única)
Multa por cartel na Espanha (2022)29,4 milhões de euros
Investigação em andamentoPagamento de propina a líderes do PSOE
Contrato no BrasilLinha 6 do Metrô de SP (R$ 19 bi)

Quais são os próximos passos dessa disputa política?

O repúdio de Marcos Vinícius não é apenas retórico. Ao levantar a questão do documento antecipado, o vereador sinaliza que pretende acionar instâncias competentes para apurar a denúncia. A transparência do processo segue em xeque, e a pressão política sobre o Governo do Estado tende a crescer nos próximos dias.

No cenário mais amplo, a Paraíba entra em um contrato de longo prazo com uma empresa que carrega um histórico controverso. A população paraibana, que depende do saneamento básico como direito fundamental, é quem mais tem a perder caso irregularidades sejam confirmadas. A cobrança por respostas é legítima, urgente e necessária.


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Eve Araujo

Sou redatora do Correio Paraibano, estrategista em SEO e estudante de Marketing. Atuo na produção de conteúdos informativos, pautados pela credibilidade, responsável e autenticidade, com foco em qualidade editorial e desempenho nos mecanismos de busca.

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