Clube do livro paraibano vira destaque cultural na Rádio Parahyba FM

A literatura fantástica, os clubes de leitura e a formação de leitores foram os principais temas abordados durante a participação de Tali Miranda e Luciana Figueiredo no programa “Um Livro, Uma Conversa”, da Rádio Parahyba FM, exibido nesta terça. A conversa destacou o crescimento de iniciativas literárias independentes na Paraíba e reforçou a importância de espaços de leitura coletiva como ambientes de convivência, troca cultural e incentivo ao hábito da leitura.
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Por que a fantasia vai além do entretenimento?
Durante o programa, Tali Miranda compartilhou parte de sua trajetória com a literatura, a criação do projeto literário Litterastra e a experiência à frente de um clube do livro voltado à fantasia e à ficção científica. Primeiramente, um dos pontos centrais da conversa abordou a maneira como a fantasia ainda é frequentemente vista apenas como entretenimento, quando, na verdade, carrega reflexões humanas profundas através de suas narrativas.
Foi relembrada uma conhecida frase do escritor G. K. Chesterton:
“Contos de fadas não ensinam às crianças que dragões existem; elas já sabem que dragões existem. Contos de fadas ensinam às crianças que dragões podem ser mortos.”
A reflexão serviu como ponto de partida para discutir como histórias fantásticas abordam coragem, amadurecimento, amizade, perdas e esperança através de universos imaginários. Durante a conversa, também foi destacada a importância da fantasia como ferramenta de criatividade e imaginação, especialmente em um período em que o consumo rápido de conteúdo tem reduzido o contato das pessoas com narrativas mais longas e reflexivas.
“A fantasia nos incentiva a pensar além da realidade. Uma das formas mais antigas de ensinar algo é através das histórias, e os universos fantásticos carregam muitas lições humanas dentro de suas jornadas e personagens”, afirmou Tali Miranda, fundadora do projeto Litterastra e coordenadora do clube do livro.
Quais são os diferentes caminhos da fantasia?
A conversa também abordou a pluralidade existente dentro do gênero fantástico. A fantasia foi apresentada como um gênero extremamente amplo, capaz de dialogar com públicos muito diferentes sem perder sua essência imaginativa. Obras clássicas e contemporâneas marcaram o programa, como O Hobbit, Drácula, Véu Escarlate, A Lâmina Mais Cortante e As Crônicas de Nárnia.
| Estilo de fantasia | Características | Obra citada |
|---|---|---|
| Alta fantasia | Mundos próprios, grandes jornadas e mitologias complexas | O Senhor dos Anéis |
| Romantasia | Aproximação de novos leitores nos últimos anos | Obras de Sarah J. Maas |
| Fantasia gótica e sombria | Sobrenatural, mistério e atmosfera melancólica | Drácula |
Entre os estilos citados, esteve a alta fantasia, marcada por mundos próprios, grandes jornadas e mitologias complexas, como em O Senhor dos Anéis. Ademais, foi comentado o crescimento da romantasia nos últimos anos, especialmente através de autoras como Sarah J. Maas, gênero que aproximou muitos novos leitores da fantasia. A fantasia gótica e sombria também entrou em pauta, principalmente através de obras como Drácula, que trabalham o sobrenatural, o mistério e a atmosfera melancólica.
O papel dos clubes do livro
Outro tema importante da entrevista foi a criação dos clubes do livro e o impacto que eles causam na rotina das pessoas. Segundo as participantes, o clube surgiu da percepção de que muitas pessoas desejavam conversar sobre literatura, mas não encontravam espaços acolhedores para isso no cotidiano. Ao longo do tempo, o projeto acabou reunindo leitores de diferentes idades e experiências, inclusive pessoas que haviam passado anos sem ler e conseguiram retomar o hábito através das leituras coletivas e dos encontros.

“O clube nasceu da necessidade de criar um espaço onde as pessoas pudessem se reunir para conversar sobre literatura sem pressão, de forma acolhedora. Quando a leitura é compartilhada, ela deixa de ser apenas individual e passa a construir conexões”, destacou Tali Miranda.
Além das discussões literárias, também foram destacadas as experiências proporcionadas pelos clubes do livro. Entre elas:
A construção de amizades
As trocas de indicações
O incentivo mútuo
As oportunidades culturais surgidas ao longo do caminho
O crescimento dessas iniciativas possibilitou, bem como, destaque em feiras literárias em diferentes regiões do Brasil, contato com editoras de grande porte e fortalecimento da divulgação cultural independente.
Como encaixar a leitura em meio à rotina?
Ao longo da conversa, Luciana Figueiredo trouxe reflexões sobre a relação entre leitura e rotina. Um dos pontos abordados foi a criação de pequenos rituais literários e das chamadas “ilhas de tempo” ao longo do dia, pequenos momentos entre as tarefas cotidianas que podem ser utilizados para a leitura, mesmo em meio à correria da vida adulta.
A ideia discutida durante o programa foi justamente a de desmistificar a necessidade de grandes períodos livres para manter o hábito da leitura. Segundo Luciana, a construção desse hábito acontece, muitas vezes, através da constância em pequenos intervalos:
- Alguns minutos antes de dormir
- Durante um café
- No transporte
- Em pausas da rotina
Por fim, essa perspectiva reforçou um dos temas centrais do programa: a leitura como parte possível da vida cotidiana, e não como algo distante ou reservado apenas para pessoas com muito tempo livre.
Por que a literatura segue como conexão cultural?
A participação no programa “Um Livro, Uma Conversa” reforçou justamente essa proposta: mostrar que a literatura continua sendo uma ferramenta de conexão humana, criatividade e transformação cultural. Em tempos de consumo acelerado de conteúdo digital, espaços voltados para a leitura coletiva e para o diálogo sobre livros se tornam cada vez mais importantes para fortalecer a cultura literária e aproximar pessoas através das histórias.
Tali Miranda
Publicitária, escritora, criadora do Litterastra e coord. do
Clube de Fantasia e Ficção Científica.
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